domingo, 3 de junho de 2012

COMO TUDO COMEÇOU

No começo do ano de 2011, no mês de maio, surgiu abandonada em nossa praça uma cachorra de aparentemente 1 ano. Ela me chamou a atenção, com seu pelo branco malhado todo com pintas esparramadas pretas, e em seus olhos manchas que lembram uma máscara. Estava magra e judiada pela rua. Talvez tivesse se perdido de sua casa. Mas estava já há dois dias na praça e sempre ficava perto de nossa casa. E eu com pena, coloquei água e ração perto da entrada da casa, e um papelão para ela dormir.

Nós já tínhamos adotado há uns 2 anos outro cachorrinho abandonado também na nossa praça, o Max. Não estávamos com intenção de ter uma fêmea.

Pela manhã do outro dia, tirei a comida e a água e o papelão. Ela não estava mais lá. Pensei que havia ido embora.

Fui trabalhar e meu marido me contou que saiu para fazer alguma coisa a pé, umas 4 quadras de nossa casa, quando percebeu que a cachorra o estava seguindo. E foi até o local que ele precisou entrar. Quando saiu de lá, não avistou mais a cachorra e pensou que ela havia ido embora. Para sua surpresa, lá estava ela em frente de casa.
Nesta noite tive um sonho estranho, onde alguém me dizia: - O nome da cachorra é Latifa, cuide dela, ela precisa de você.

Acordei pertubada e fui olhar se estava em minha porta. Lá estava ela. Chamei-a pelo nome: - Latifa, entra! E ela veio, toda alegrinha.
Desde então, ela ficou conosco. Levei-a no veterinário, pois estava cheia de vermes. Demos as vacinas necessárias e um bom banho.



Ela sempre foi muito inteligente e inquieta. Pesava uns 20 kilos e seu irmão Max, apenas 7 kilos, mas queria imitá-lo, pulando a 1 m do chão, para pedir as coisas... Aprendeu a abrir sozinha a porta da cozinha, a única que tem uma maçaneta da qual batia sua pata, pois é uma cachorra grande, e conseguia alcançar.



Percebemos que logo ela poderia entrar no cio, e a colocamos na fila da castração. E graças a Deus ela foi castrada.



Mas como não temos quintal, e o espaço na frente é dividido com os cachorros, um dia Latifa fugiu sem percebermos e atravessou correndo uma avenida movimentada, ao lado de nossa praça. De acordo com testemunhas foi uma camionete, que não parou. Assim que foi atingida, quebrou a bacia esquerda e a coluna no T13, e ela se arrastou até chegar na calçada da praça, esfolando toda sua barriga.

Como tenho vizinhos maravilhosos, e pessoas boas nas proximidades, ela foi cuidada por minha vizinha e sua filha, que não sabiam que era nossa. Deram-lhe água e conversaram com ela. Até que outra alma boa apareceu e ofereceu para levá-la na Veterinária da UFU (Universidade Federal de Uberlândia).

E foram com Latifa, a motorista e a filha de minha vizinha. Quando chegaram lá, ficaram sabendo que o atendimento teria que ser pago. O que muitas pessoas não sabem que lá tudo é cobrado.

Enquanto isso fui informada que alguém viu minha cachorra, que eu já estava louca procurando. E fui até na UFU, buscar Latifa.

Foi com muita tristeza que a vi naquele estado. Cheia de ferimentos nas patas traseiras e não sabia se o carro tinha passado sobre ela. Passei com muita dificuldade Latifa para meu carro e fomos eu e a filha de minha vizinha até uma veterinária conhecida. Chegando lá e fazendo os primeiros exames viu que a coluna havia quebrado, mas fez outros exames para ver se tinha hemorragia interna.

Depois de tirar a radiografia, o melhor lugar para tratar de sua coluna seria a Universidade Federal mesmo, e assim fomos atendidos lá, e Latifa foi operada da coluna. Após a cirurgia, a veterinária não me deu chance nenhuma dela voltar a andar. Mas eu fui categórica: Vou ficar com ela de qualquer jeito, não é para eutanasiá-la.

LATIFA ANTES DA CIRURGIA NA COLUNA

DEPOIS DA CIRURGIA, COM GESSO, NÃO PODIA FICAR EM PÉ .

Ela levou 35 dias sofrendo muito com o gesso, que certamente coçava, e a deixava louca para levantar. Teve até que tomar calmantes, senão a coluna não restabeleceria. Teria que ficar deitada todos 30 dias. Ficamos com muita pena dela não poder nem ver luz do sol direito, e meu marido improvisou um carrinho de mão, forrado com edredon, para poder levá-la na praça. Ela ficou muito feliz.

Ao tirar o gesso, fomos encaminhados para um rapaz, que faz cadeiras de rodas artesanais para cachorros. E fizemos um carrinho para que ela pudesse passear na praça. Ficou toda feliz com seu primeiro passeio...






Eu sempre fiquei intrigada com os movimentos das patas traseiras quando a gente encosta na sola das patas. Mas um amigo veterinário disse que eram movimentos involuntários.

Mesmo com sua mobilidade limitada, Latifa foi descobrindo novamente a alegria de brincar, de correr atrás de seu irmãzinho, e adaptou sua nova vida. Parece uma "foquinha" andando. Ela fica num local que o piso é liso e não agride suas patas traseiras.





Todos os dias, tenho que trocar suas fraldas, que evito de deixar por muito tempo para ela não assar. Igual a um bebê, tambem passo pomada própria para assaduras.

Fomos nós duas levando a vida, e nos conformando com a situação, quando no mês de maio, ao tirar uma fralda dela, um pedaço do esparadrapo, que estava grudado na sua cintura, puxou um pouco dos pelos dela, e ela reagiu tentando morder o local, como se tivesse sentido dor. Achei aquilo estranho, e então lembrei-me de uma amiga, que teve uma cachorrinha também com a coluna quebrada, que os veterinários falaram que ela não andaria mais, mas uma veterinária acupunturista conseguiu recuperar seus movimentos.

Procurei essa amiga e ela me deu o contato da veterinária. Levei a Latifa lá, na última sexta-feira (1) de junho. E foi com alegria que vi a doutora me dar a esperança, dela voltar a andar, talvez não com a perfeição de antes, mas andaria. Precisaria também, além da acupuntura, de tirar outra chapa da coluna e quadril, e também fazer fisioterapia. A alegria do momento me fez esquecer, que sou uma cidadã que é de classe média e tenho minhas limitações financeiras...

Lembrei-me da APA - Associação Protetora de Animais de Uberlândia, e eles me disseram que se eu precisasse ajuda, ajudariam a divulgar.

Então resolvi escrever aqui toda história da Latifa, e pedir ajuda sim, porque somente o primeiro mês o tratamento ficará no mínimo em 400 reais...

A quem puder nos ajudar, farei relatórios de todos os gastos dela mensais e relatarei todos avanços.

Por enquanto a conta para depósito é Caixa Econômica Federal, conta poupança (tipo 13) Agência 3961 conta: 4002-4 - Teresa Cristina de Paiva Montes. Desde já agradeço a atenção de todos e o carinho!

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